terça-feira, 26 de junho de 2012

Objetos



 Ocuparei este curto espaço para amontoar pensamentos que não consigo guardar em mim, criando uma forma viva de expor essa decepção constante que todos covardes insistem em fazer repetidas vezes uns com os outros enquanto exorcizam seus medos na vulnerabilidade alheia.

Não estou disposta a enfeitar as sensações que a maldita segunda feira ímpar causou em tudo que pensei ser verdade e era apenas princípio de cinismo .. não sei porque lembrei daquele sorriso ..
Lembrei, entretanto, irei esquecê-lo .. no que se trata de sentimentos, nada sobrevive mais que 48 horas, depois disso, eles perduram até o prazo de validade, afinal, ninguém suporta viver em uma agonia, principalemente os loucos (onde me encaixo).

 Eram quase duas da madrugada e desliguei o celular para chorar .. E ter chorado, provocou uma imensa vontade de rir! (bem mais estranho que aceitável). Lembrei-me das palavras usadas de maneira espontânea e fiz duas perguntas para aceitar a realidade. Confesso que quase acreditei naquele momento sendo transformado em arte contemporânea, porém, foi abstrata!

E de repente, percebi que todos são iguais, inclusive, quem pensamos ser diferentes.
Parece tão clichê dizer que gostamos de alguém e o alguém, através da "emoção do momento", repetir o que dizemos como se através de algum passe de mágica, iria ser verdadeiro e tão eterno .. Eu fico realmente encantada com a capacidade das pessoas amarem tanto e ainda mais de trocarem seus amores por outros amores maiores e depois maiores e depois mais verdadeiros e infinitos e vivem contos de fadas e depois (re)vivem! Uau .. impressionante isso!

As pessoas ficam carentes quando gostam de outras pessoas, mas eu até que entendo .. Deve ser bem complicado criar uma maneira de expor um sentimento mandando bombons e vinhos e quem recebeu terminar a noite com tequilas e beijos clichês em outras pessoas, não em quem expôs algum provável sentimento! Assim como deve ser pior ter a irônia extrema de se declarar contra "falsas postagens de amor tecnológico" em redes sociais encenando o exibicionismo, e em seguida, se declarar esperando o tal que em tão pouco tempo tornou-se especial .. Era para rir ou é pura cara de pau?!!

Eu realmente detesto o que considero "modinha" e não faço nada do que eu não queira fazer .. Sou assim, ninguém além de mim, precisa me entender .. Quando gosto é para valer! Por isso prefiro fugir quando sei que não há uma reciprocidade sentimental, pois cá entre nós, deve ser bem injustiçado àquele que gosta e aceita não ser gostado .. Acreditava que o amor devia ser dividido e pensava assim, pois acreditava no amor, talvez eu ainda acredite, mas prefiro não acreditar .. É melhor para minha saúde! 

Aliás, não acredito em mais nada .. Quase voltei à acreditar nas pessoas, mas à cada dia que passa, elas me mostram que realmente somos todos objetos em vitrines transparentes, esperando ser materializados com a intenção de suprir alguma necessidade do negociador. Alguns oferecem brincar de amor .. Outros oferecem infinitas cenas românticas que acabam antes da meia noite .. Outros brincam de transformar o interesse em arte .. E tantas outras infinitas loucuras, basta ter criatividade para lidar com o objetinho ao seu dispor.

Eu fui um objeto .. Servi para distração e entreterimento, meu apelido seria: video game em 3D!! 



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vontade de círculos



De repente, despautérios causam incidentes temporais .. O vento anuncia um certo deslocamento de atmosferas .. Na sequência vem a garoa miúda inventando chuviscos febris .. Por fim, o frio, com sua timidez inexpressiva e cruel, obstruindo emoções e arquitetando maneiras para tiranizar carências escondidas rente a pele que titubeiam reflexões invisíveis.


Por confiar na previsão do tempo, esqueci o guarda-chuva no parque, pendurado em um dos galhos daquelas árvores sem folhas nem frutos, apenas desprovidas do verde, porém, diariamente mais belas e ordinárias .. Perdoe-me guarda-chuva?! Lamento ter o deixado correndo perigo na solidão da madrugada .. Quem sabe um casal apaixonado, leve-o para casa.


Decomponho-me em alucinações racionais que elevam o desespero de um quase amor, à uma vontade impotente que cria tempo perdido e deixa um fiapo de saudade, que sempre se transforma em vontade.
-- Vontade de que? (pergunta a angústia).
-- Vontade de círculos! (responde a irracionalidade).

Provida de um lento racíocinio, tento explicar de forma descomunal um sentimento às avessas:
.. As pessoas não deveriam dizer que "o para sempre, sempre acaba" ou que "nada é eterno" ..
Deveriam aprender a não ferir a eternidade ..  Deveriam buscar o sentido verdadeiro de seus desejos e não se entregarem a momentos clichês, pois assim, tornamo-nos frágeis objetos para prazeres alheios.

Persiste uma dúvida: O que seria vontade de círculos?
Ponho-me à beira do rídiculo e cometo suícidio:
É desejar a mesma mulher todos os dias .. É fazer de seu corpo, um templo sagrado e profano .. É morar nos abraços e beijos, esconder-se no cheiro e aliviar os medos .. É estar em constante estado de graça e contentamento .. É sorrir aquele riso bobo sem que haja algo engraçado .. É tocar, é correr, é construir, é fugir .. mas sobretudo, voltar .. Afinal, os círculos nunca se desfazem.

Vontade de círculos, talvez seja o príncipio do amor .. será?
Verdade seja dita, o único tempo no qual devemos acreditar é no do coelho ..
Quando Alice (no País das maravilhas), pergunta ao coelho: "Quanto tempo dura o eterno?".
O coelho responde: "As vezes apenas um segundo".

Gostaria de saber a resposta do coelho para uma pergunta de cunho pessoal:
-- Quando a vontade é "de perto, se longe, ou de mais perto, se perto" ..
Apenas um segundo é suficiente?

Ah tempo nublado! Porque tu és tão rude comigo?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Assunto xis


Ouvi tua voz desconcertante cortando a madrugada fresca enquanto moldava vibrações desafinadas .. Quão incontrolável era a espontaneidade do outro lado, que relutei qualquer fuga interna e decidi seguir adiante, sem pronunciar meu plano falho.


O tom oscilava entre o grave e o agudo .. Provocando involuntariamente a quebra de certas regras .. O horizonte negro, carregava algumas nuvens que escondiam a lua e outros segredos .. Ás vezes o diálogo era com o silêncio, e cá entre "nós", ele evidenciava seus suspiros.
 
 
Ah, seus suspiros! Constroem meu lado poético e brinca comigo antes de dormir .. Se despede criando possibilidades e embalam meus olhos ao admirá-la .. Observo-a como faço com a lua e assim como ela, você é linda e sabe disso .. Qual foi a razão em termos conversado sobre o assunto xis? Este assunto deve ser mantido em sigilo absoluto!


A fala estava intimamente ligada à um desejo (este, permaneceu intacto). Os desajustes musculares incendiavam uma dicção verbal associada à inconstância de vocabulário. Ela vivia o auge da loucura e queria dividir isso comigo e também a voz rouca, abarcando meus instintos.
 
 
O timbre alucinava minha imaginação, rendia-me em divagações onde à encontrava "acessível" e disposta à ser adulterada .. Provovalmente eu deixaria de existir por alguns mintutos e me imaginaria sendo um satélite esperto e com sorte por tocar um ser humano tão conflitante, tão sedutor e tão atraentemente irresistível.


Oras! Devo comportar-me com seriedade .. Porém, ela incentiva minha vulnerabilidade e ponho-me ao seu dispor e de repente tudo é pólvora e queima lentamente, depois sobra a fumaça e a névoa artificial .. O que eu desejo? Que nossa loucura não se acabe!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"..."



Naquela época vivíamos desafiando a construção de sorrisos perigosos na descida da cachoeira. Tínhamos a obrigação de aproveitar ao máximo, pois mamãe dava-nos compromisso de estar às seis em casa, "tomados" banho já! Lembro-me bem, os lírios cresciam enquanto a noite caia, sempre cedo, sempre quente, sempre silenciosa .. Eu costumava deixar a janela aberta e observava o tempo negro, deitada na rede que tinha um cheiro de maça verde. Estranho! Devia ser o produto que usavam para lavá-la ... O cata-vento girava e proibia-me de gozar da plena lucidez, pois os giros hipnotizavam-me, deixando a noite ainda mais irresistível.. Será que em outro lugar, a noite era mais bonita? não! impossível .. A noite mais linda era minha. 

Os vizinhos tinham nomes criativos, falavam em outra língua (achava aquilo incrível), mas gostava mesmo era daqueles docinhos que a mãe dos meninos traziam, típico ato de cidade pequena, eles mudam uma coisinha ou outra da receita original e leva um bocadinho para cada vizinho, quando ela apontava no portão com um pratinho, eu gritava: mãe, petit gateau!! Pulava da rede e saia correndo, mamãe ensinou-me à sempre oferecer café, mas aquele dia não tinha.. Ela preparou um suco verde com ervas, um cheiro esquisito e o gosto horrível, mas era o preferido da vizinha, que enquanto mamãe fazia o suco, ensinava-me a pronunciar aquele docinho, silabicamente com batom vermelho gritante: Acompanha-me, pe-ti-ga-tô .. Repita! 

Minha avó, que vivia ajustando o relógio e trocando as pilhas, costumava dizer que a manhã era corrida e cheia de tarefas estressantes, mas depois que os homens do garimpo deixavam uma pia de louça enorme, ela lavava tudo sorrindo, pois naquele dia, não mais os veriam! Sempre encrencava com um que era bem atrapalhado e pisava com as botas de lama no piso de taco, mas ela fazia-o limpar, até dava o pano e ensinava. Durante a tarde, ela arriscava jogar bola com meu irmão, mas a idade avançava e mostrava que isso era apenas uma vontade, ela era melhor com os bolos da cozinha.

Eu, sempre ficava atrás de coisinhas miúdas com a lupa na mão..Gostava mesmo era de subir na árvore, tinha cada bichinho lá melhor que boneca! Eu só não gostava de pisar na areia, dava uma gastura irritante, eu corria e molhava meu pé, deixava a água correr e ia sentar embaixo da sombra da seriguela, era a maior e a minha preferida. Eu colecionava pedrinhas minúsculas e alguns gravetos bonitinhos, muitas vezes, na volta para casa, eu atirava as pedrinhas no meu irmão e seus amigos para os afastar de perto das árvores, afinal, achava tão maldoso eles matarem os passarinhos, cortava-me o coração.

A noite eu parecia ser santa, ficava quietinha deitada na rede ou sentada na escada, olhando a lua e sempre contava oito estrelas .. Tinha bem mais, porém, oito já eram suficientes para mim. Meus tios diziam: Essa garota não bate bem da cuca! Essa garota parece viver no mundo da lua! E essa, era a frase que eu mais gostava, pois de certa forma, "viver no mundo da lua", parecia-me algo muito agradável.. Será que lá é calor ou frio? Por via das dúvidas seria melhor levar um casaco, aquele vermelho, bem quentinho.

Quando eu estava no auge  dos meus pensamentos brilhantes, no conforto da imaginação, que tinha um colo que parecia de veludo ou nuvem derretida, completamente emergida pelo prazer que a natureza me dava de graça, ouvia uma voz interromper: "Filha, esta na hora de dormir, amanhã tem escola cedo, vem". Um pouco brava, eu ia caminhando bem devagar, contando os passos e despedindo-me: Lua? Vento? Estrelas? Quase chuva? Boa noite para vocês.

     

sábado, 14 de abril de 2012

φιλία

  
Dois senhores grisalhos perambulavam noite adentro, desfrutavam de mais uma vitória no campeonato de bocha, da terceira idade .. Enquanto gozavam do bigode um do outro, avistaram um banco coberto de ferrugem, as pernas, que já não exibiam um porte atlético, exigiam descanso e sentaram aliviados. Um deles, o galhofeiro disse:
- O que de mais ousado dois velhotes podem fazer, se não, encostar as bengalas em um banco sujo de uma pracinha abandonada pelo futebol arte dos meninos da rua?!
O outro, o sorumbático respondeu com a voz roca e abafada:
- .. Amar.
Risadas estrondosas tomou conta da atmosfera:
- Um velho tristonho falando de amar aos 74 anos! Qual velha iria aderir a mesma doutrina meu velho gaga?!  
Com uma timidez encantadora, o sorumbático respondeu:
- Dona Eulália da padaria, oras! Ainda não percebestes? Esta caidinha pelo seu amigo aqui!
- Caro amigo, endoideceu de vez, será alguma doença contagiosa? (esquivou-se para esquerda).
- Tranquilize-se seu velho debochado. Amanhã cedo irá comigo comprar pão, depois, me dirá se estou equivocado .. ela esta encantada. 
Conversaram mais uns minutos e resolveram ir para casa. Após a morte da filha e esposa num trágico acidente, o velho melancólico se isolou do mundo e desfrutava apenas da rabugice do velho amigo.

No dia seguinte, as 5:59 horas o despertador os acorda. Colocam suas roupas feitas em alfaiates, o sorumbático, feito um menino, esta prestes a sair correndo pelo portão à procura de sua amada. O galhofeiro o acompanha silenciosamente. Passos lentos e chegou até a padaria, Eulália diz:
- O mesmo de sempre?
- Sim. Quatro pães, duas rosquinhas e um leite de saquinho.
Enquanto aguardava seu pedido, percebeu uma goteira no canto direito e aproximou-se já pedindo uma chave de fenda e fazendo o serviço. Depois de alguns minutos, o conserto estava feito e Eulália alegre o convidou para um jantar simples, como uma forma de recompensa.
Na ida para casa, ele comentou com o peito estufado:
- Esta vendo .. seu velho amigo aqui ainda faz um sucesso danado! (risos).
- É nada .. ela foi apenas educada!
- Educada? não. Reparou o olhar dela me fitando a cada instante?
- Velho, você esta maluco! Tire essa idéia da cuca, são apenas bons amigos de longa data.

 A tarde demorou passar. À cada instante, ele entrava no quarto para verificar seu terno azul marinho na beirada da cama, arrumava as meias e os sapatos, deixou até o perfume guardado há anos em cima do criado mudo. Olhou a foto de sua esposa e filha, já falecidas e pensou:

Ah saudade. Foste tão cruel comigo todos esses anos. Quem derá agora me desse um pouco de alegria. Sinto falta de uma mulher em casa, no lugar, comprei um cão, mas ele só late e come ração, não me faz carinho, por mais que me dê toda a atenção. Enfim, já não choro como antes por saudade de minha filha que cursava medicina e que jurava cuidar de mim até a morte. Preciso de alguém vida, encaminhe aos meus sonhos a dona da padaria com aqueles olhares que querem me dizer algo.

Seu velho amigo, aproximou-se e em tom de despedida, anunciou:
- É, meu caro, foi muito bom o tempo que passei contigo, mas é chegada a hora de seu velho amigo aqui partir para outros lares.
Aborrecido, o sorumbático, respondeu até agressivo:
- Ora velho safado .. pare com suas piadinhas de muito mal gosto, sabes bem que não gosto disso!
Uma luz fria e contagiante entrou pela janela do quarto, iluminando o ambiente, fazendo até dilatar a púpila ..
-  O que é isso? (perguntou o velho amedrontado).
- Calma amigo, não é uma piada .. sou eu partindo, caso não tenha percebido, sou um amigo imaginário que você criou para as noites tristes. Lembra-se? Conversavamos durante horas, eu servi para ajudar-te a se recuperar da morte de sua filha e esposa, agora que estas curado e encaminhado para um novo amor, hei de ir embora.
O velho tristonho, lembrou-se de uma noite em que acordou suando e que algo assombroso acontecera. Após um pensamento de querer ter um amigo, este, que agora se despede, bateu-lhe a porta e foi logo estendendo o paletó no sofá .. será mesmo que sua mente seria capaz de imaginar algo tão absurdo?
O amigo sumiu diante da luz imensa.

Ele foi tomar banho .. fez a barba .. colocou a roupa e comprou uma rosa. Chegou a hora de ver Eulália. Caminhou pela calçada reparando se seu amigo iria surgir daquelas imensas árvores e dizer que tudo não passava de uma bobagem. Chegou até o portão da casa de Eulália, tocou a campanhia.
Ela estava linda e carismática, o vestido estampado de seda, fazia dela mais jovial com o constante brilho nos olhos e quem diria, passou até batom! Ele tirou o chapéu e lhe ofertou as rosas e o vinho que comprará para a ocasião.
Avistou a mesa farta e duas velas, tratava-se de um jantar romântico ou era uma visão?
Eulália, juntando uns dedos nos outros, começou sua revelação emocionada:
- Não sabes como esperei por este momento. Sei que sente infinita dor em ter perdido seu grande amor e sua filha que eu tanto adorava. Talvez depois de tanto tempo perdido, você entenda como me senti durante todos esses anos, vendo meu amor dividindo a alegria com outra. Estudamos na mesma escola, eu queria ter dançado o baile contigo, mas convidou outra. Somos vizinhos, você compra pão e leite todos os dias a mais de 40 anos e meus olhos sempre que te enxergam denunciam o quanto te amam. Escrevi várias cartas todo esse tempo, na esperança de enviá-las, mas eu não poderia destruir seu lar e sua alegria. Amei você em segredo. Nunca casei-me apesar dos vários convites. Não tenho filhos para cuidar de mim na velhice. Tenho apenas a padaria, que é nosso ponto de encontro todas as manhãs e hoje, esse jantar para revelar o quanto te amo e não precisa ficar se sentir encomodado.

O velho, esboçou um sorriso apaixonado, não entendia muito bem a situação, mas entendeu que Eulália o respeitou todos os dias de sua vida, mas que era chegada a hora de uma nova poesia. 
- Eulália, minha rosa, vamos ao baile da terceira idade após nosso jantar? Lá, aos passos da melhor valsa, há de acontecer nosso primeiro beijo.

Sorriram e abraçaram-se como dois jovens descobrindo a puberdade.
À partir desse dia, nunca mais se soube da saudade. Eles conversavam todo fim de tarde na varanda, lembravam do tempo de escola e falavam sobre o amor da mente: Philía.
Descobriram que foram feitos um para o outro e vez ou outra ele lembrava de seu amigo imaginário, mas manteve isso em segredo pois era uma baita loucura!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Distância


Tal como a um detento na penitenciária, cuja a liberdade esta aprisionada.
Meu sentimento parece ser inválido, procurarei esquecer-te.

Hei de ocultar meus desejos, como se fosse tu, um conto proibido.
Não ouse escapar, a palavra de nova ordem é: distância.

Ela faz a tristeza envergar e nos coloca na arquibancada 
Num movimento tenso, desajustado e vulgar.

Óh distância, tu és pálida, ociosa, intrépida e quem diria, muda!
Poderia refletir, encaixar, retorcer e se reinventar.

Quem em pleno gozo de suas faculdades mentais
Pediria distância à alguém?

Porém, continua fria e aguda .. Hoje eu lhe diria:
Distância? Saia daqui .. tenho cara de mal, sei omitir e sigo avante!

Se estiveres sem rumo, trilha meu caminho, sou sempre abrigo.
Se estiveres enfermo, podemos usar os milagres divinos.

 Se quiseres conselho, tenho três:
- Pela manhã, escove os dentes, deseje bom dia e tome suco de laranja com torradas ..
- Durante a tarde, aprecie uma boa música e devore um livro: Filosofia ..
- E a noite: Esteja nua, faça sexo delicado e observe a lua!

Quanto à distância, o único conselho que eu diria é ..
Bom, para isso não tenho nenhum método!
Além de vivê-la.

domingo, 1 de abril de 2012

- não tente entender tais palavras


-- Começei à escrever --

.. A calçada transparente acolhe a mulher que ganha a vida, nua.
Do outro lado, admiro uma dimensão onde vive tão linda, a lua ..
(.. o barulho anuncia uma mensagem, que por sua vez, destrói um coração ..)
" .. manter distância é o melhor que posso fazer por nós duas .. "
... ...

A intenção era escrever sobre aproximação, de repente, desfaço-me diante da noite.
Penso em ti, impondo regras: esqueça - me.
Penso em ti, declamando: sou racional.
Um refrão musical invade esse instante: medo de amar (A. Calcanhoto)
Oras, maldita música!


-- Tento continuar à escrever --

À margem da escada, perdida no vácuo da liberdade
Enquanto lembro de suas expressões, a saudade invade.
A brisa prende minha fala e aguça os sentidos
E nasce um cruzamento que divide os destinos.
Uso minha companheira singela, a gaita, como refúgio
Para fingir que não entendi o desprestígio.

Quero gritar! 
.. bem alto ..

Pensei que tu fosse apenas "importante" para o meu presente ..
Porém, senti que em verdade, tu representa os sinônimos disso:
Essencial e necessário.

E tudo acaba de uma maneira inexplicável faltando "treze" dias?
Ouço sua voz firme dizendo: - Sim.
E tudo que eu quero destinar a ti, ficará preso no passado? 
A voz insiste: - Sim, será fácil.
E para esta que vos escreve, o que resta?
Desta vez, prefiro o silêncio.
... ...

Continuar escrevendo será o mesmo que cavucar explicações vazias.
Portanto, deixarei as estrofes confusas e marginais, acima.

E uma dica do implacável C. D. de Andrade: Não deixe o amor passar

"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O amor".