quinta-feira, 4 de julho de 2013

Silêncio.


Palavras ... Ruídos ... Sensações ... Mistérios ...
É tempo de pausa. Portanto, calo-me. 
E assim, nasce o silêncio e a angústia dos mortais.

Tantos foram os vendavais.
Criou-se diversas espécies de rigidez emocional.
Que hoje, se abala feito vento forte que ecoa ao sul, ao norte ...

O homem criou as quatro direções para saber que o sul sempre esta as suas costas.
Segui o rumo da intuição, cujo caminho trouxe-me aqui.
O que pensei que era forte, se constrói a base de sorte.

Palavras vieram feito ruídos, causaram sensações e agora é só mistério.
Minha alma desfalece tensa e a cada instante perde os sentidos.
E antes? Antes, era só primavera. O presente é inverno e tudo congela.

Momentos que parecem torturas e geram conflitos.
Perturbam e nesse emaranhado, confundo o verdadeiro e o falso.
A tarde contorna as paisagens e traz a angustia (que grita).

Peço socorro! Grito. Clamo. Faço da minha voz aguda e elevada.
E num brado alto, exclamo minha dor, meu espanto e minha raiva.
Mas tudo não se vai, pois faço tudo em silêncio.

Então, de repente crio uma vontade abstrata:
Subir no topo da montanha mais alta e alcançar as nuvens. 
Pedindo para que levem esse nó do meu peito e o conduzem para longe.

Vá .. Leve .. Vá .. Adiante! 
Para longe ... Vá!

Jean Paul Sartre defendeu que a angústia surge no exato momento em que o homem percebe a sua condenação irrevogável à liberdade.

De fato, sinto-me presa a esse nó e não sei desatiná-lo, pois ele possui segredos invisíveis em formas transparentes que se fazem enganar.

Encaro esse conflito em silêncio, tentando encontrar um fino equilíbrio que me faça lembrar de como era antes e de como tudo era tão raro.

Circunstâncias cotidianas abafaram-me, brotando angústias intransitáveis.
Silêncio aqui dentro. Silêncio lá fora.
Silêncio, apenas.













terça-feira, 14 de agosto de 2012

Vem cá menina.



Cadê aqueles carinhos? Cadê o tempo que eu era teu benzinho?
Vem cá menina que veste blusa de quadrinhos e calcinha azul marinho ..
Seus cabelos despenteados criam vontades invísiveis ..
Seu cheiro me excita lentamente .. embriaga .. envenena!
Vem cá menina .. aqui .. para cá .. menina .. vem .. vem .. vem ..
Não vá dizer que não quer um abracinho ..
Não me recuse os teus beijinhos ..
Vem cá menina .. aqui .. para cá .. menina .. vem ..vem .. vem.
Vinte e poucos anos, usa óculos cor de rosa com batom vermelho ..
Ouve Bethânia, Chico e Legião Urbana ..
Oh menina, que morde os lábios chupando chicletes ..
Vem pintar sua criatividade dentro do meu quarto ..  
Espalha teu sorriso pela sala .. gruda sua coxa na minha boca ..
Oh menina cheia de tatuagens .. deixe esse passarinho voar ..
Deixa ele alcançar o medo de amar ..
Vem cá menina .. aqui .. para cá .. menina .. vem .. vem .. vem.
Oh que saudade da sua fotografia ..
De como você brigava quando eu insistia ..
Oh menina, do País das maravilhas ..
Deixa teu corpo atirado na minha cama ..
Tira essa roupa engraçada e fica de meias coloridas ..
Que eu vou moldar meus desejos nas suas curvas ..
.. ai menina! ai menina! 
Vem cá menina .. aqui .. para cá .. menina .. vem .. vem .. vem. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Sem título!



Ouvidos atentos, sensíveis à sonoridade dos passos de quem chega ou vai.
Deixei a vida para lá .. Larguei meu relógio .. Enverguei o corpo para cá ..
Percebi o óculos embaçado, mas e daí? Queria mesmo era ver a lua!

O silêncio surgiu agindo como as cores, roubando sentidos incertos. 
A paisagem versa no brilho dos olhares e faz-se abrigo seguro.
O toque sutíl e o abraço mansinho, causa o equilíbrio.

Amor, mal chegastes e já vai embora?
(a razão compreende .. o coração se faz de tolo).

Tiro a sandálinha de couro .. Sinto a positividade da grama.
Ainda resta alguma tentativa frouxa de erguer-se em meio ao caos.
Ou ao menos, deveria existir.

Foram quarenta dois passos no asfalto.
Uns vinte e seis no cimento.
Depois, virei pó .. Um pó fino .. pó!

E quando eu não alcançar as estrelas e não poder lamber a lua?
Para suportar minha velhice hei de comprar livros de filosofia.
E algum que explique sobre essas dores no joelho.

Gostaria de fechar os olhos e de abrir os braços ..
Deixar a desorientação guiar meus instintos ..
.. mas não aceito o desafio e proibo-me sentir frio.

Hoje e os dias próximos que estão por vir, dispenso companhia .. 
Despejo sentimentos e despenco em agonia.
Não deve ser ruim se eu souber valorizar meu canto.

Oculto o desespero .. Escondo a face .. Driblo o espelho ..
Não me compre uma flor .. dê-me um doce, talvez maçã do amor!
Descansarei naquelas rosinhas brancas e amarelas e acordarei no paraíso.

Esta de malas prontas há cinco meses .. Aceitei tal afastamento.
Renuncio do que lentamente o tempo construiu e não o pretendo resgatar.
Isso não é fácil, requer um estado de espírito que nem todos aguentam.

A distância zomba e insulta como se fosse provocação.
Eis chegada a hora de providenciar o absurdo de ser o que não se é.  


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ela



Quero mudar de espécie .. Odeio seres humanos.

Agora quero ser passarinho! E passarinho serei. Capaz de construir o próprio ninho. Colher o que semeei. Voar por aí sem medo de esbarrar no vizinho.  Cantarolar como se fosse rei.

Quero bater as asas e sentir o que for. Menos que pequei. Cuidar das pétalas caindo da flor. Lembrar do bico da passarinha que biquei. Comer as migalhas de amor.

E tentar dizer que foi ela que eu sempre esperei. Esperei? Não, nem esperei, foi uma zombaria. Isso! Peças que o destino prega na gente .. conheces?

E a gente fica assim .. meio sem saber o que fazer .. Querendo ser passarinho e voar .. Voar para que? Voar para fugir!

Pois fugir é melhor que admitir .. Voar é mais fácil do que se entregar!

Se ela soubesse dizer que sim, poderíamos ser passarinhos e construir um ninho e cantarolar juntas e bater as asas e bicar o amor e cheirar a pétala da flor e brincar de zombar a vida construindo amor.

Mas ela não sabe e se esconde atrás da árvore, não voa, não aparece, não quer .. ela inventa razões para não me deixar entrar e me expulsa e diz: não quero mais, isso não serve para mim.

E eu? eu queria saber convencê-la de que eu me encaixo nos planos labiais dela .. mas nem mesma eu sei se me encaixo ou se engordei!

É apenas um pensamento .. ou um querer .. sei lá, diria devaneio .. mas como não divagar sendo ela a dona do meu "acreditar"?!

Sendo ela .. sempre ela .. a inspiração que me faz pirar e qualquer dia pirarei de vez.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Objetos



 Ocuparei este curto espaço para amontoar pensamentos que não consigo guardar em mim, criando uma forma viva de expor essa decepção constante que todos covardes insistem em fazer repetidas vezes uns com os outros enquanto exorcizam seus medos na vulnerabilidade alheia.

Não estou disposta a enfeitar as sensações que a maldita segunda feira ímpar causou em tudo que pensei ser verdade e era apenas princípio de cinismo .. não sei porque lembrei daquele sorriso ..
Lembrei, entretanto, irei esquecê-lo .. no que se trata de sentimentos, nada sobrevive mais que 48 horas, depois disso, eles perduram até o prazo de validade, afinal, ninguém suporta viver em uma agonia, principalemente os loucos (onde me encaixo).

 Eram quase duas da madrugada e desliguei o celular para chorar .. E ter chorado, provocou uma imensa vontade de rir! (bem mais estranho que aceitável). Lembrei-me das palavras usadas de maneira espontânea e fiz duas perguntas para aceitar a realidade. Confesso que quase acreditei naquele momento sendo transformado em arte contemporânea, porém, foi abstrata!

E de repente, percebi que todos são iguais, inclusive, quem pensamos ser diferentes.
Parece tão clichê dizer que gostamos de alguém e o alguém, através da "emoção do momento", repetir o que dizemos como se através de algum passe de mágica, iria ser verdadeiro e tão eterno .. Eu fico realmente encantada com a capacidade das pessoas amarem tanto e ainda mais de trocarem seus amores por outros amores maiores e depois maiores e depois mais verdadeiros e infinitos e vivem contos de fadas e depois (re)vivem! Uau .. impressionante isso!

As pessoas ficam carentes quando gostam de outras pessoas, mas eu até que entendo .. Deve ser bem complicado criar uma maneira de expor um sentimento mandando bombons e vinhos e quem recebeu terminar a noite com tequilas e beijos clichês em outras pessoas, não em quem expôs algum provável sentimento! Assim como deve ser pior ter a irônia extrema de se declarar contra "falsas postagens de amor tecnológico" em redes sociais encenando o exibicionismo, e em seguida, se declarar esperando o tal que em tão pouco tempo tornou-se especial .. Era para rir ou é pura cara de pau?!!

Eu realmente detesto o que considero "modinha" e não faço nada do que eu não queira fazer .. Sou assim, ninguém além de mim, precisa me entender .. Quando gosto é para valer! Por isso prefiro fugir quando sei que não há uma reciprocidade sentimental, pois cá entre nós, deve ser bem injustiçado àquele que gosta e aceita não ser gostado .. Acreditava que o amor devia ser dividido e pensava assim, pois acreditava no amor, talvez eu ainda acredite, mas prefiro não acreditar .. É melhor para minha saúde! 

Aliás, não acredito em mais nada .. Quase voltei à acreditar nas pessoas, mas à cada dia que passa, elas me mostram que realmente somos todos objetos em vitrines transparentes, esperando ser materializados com a intenção de suprir alguma necessidade do negociador. Alguns oferecem brincar de amor .. Outros oferecem infinitas cenas românticas que acabam antes da meia noite .. Outros brincam de transformar o interesse em arte .. E tantas outras infinitas loucuras, basta ter criatividade para lidar com o objetinho ao seu dispor.

Eu fui um objeto .. Servi para distração e entreterimento, meu apelido seria: video game em 3D!! 



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vontade de círculos



De repente, despautérios causam incidentes temporais .. O vento anuncia um certo deslocamento de atmosferas .. Na sequência vem a garoa miúda inventando chuviscos febris .. Por fim, o frio, com sua timidez inexpressiva e cruel, obstruindo emoções e arquitetando maneiras para tiranizar carências escondidas rente a pele que titubeiam reflexões invisíveis.


Por confiar na previsão do tempo, esqueci o guarda-chuva no parque, pendurado em um dos galhos daquelas árvores sem folhas nem frutos, apenas desprovidas do verde, porém, diariamente mais belas e ordinárias .. Perdoe-me guarda-chuva?! Lamento ter o deixado correndo perigo na solidão da madrugada .. Quem sabe um casal apaixonado, leve-o para casa.


Decomponho-me em alucinações racionais que elevam o desespero de um quase amor, à uma vontade impotente que cria tempo perdido e deixa um fiapo de saudade, que sempre se transforma em vontade.
-- Vontade de que? (pergunta a angústia).
-- Vontade de círculos! (responde a irracionalidade).

Provida de um lento racíocinio, tento explicar de forma descomunal um sentimento às avessas:
.. As pessoas não deveriam dizer que "o para sempre, sempre acaba" ou que "nada é eterno" ..
Deveriam aprender a não ferir a eternidade ..  Deveriam buscar o sentido verdadeiro de seus desejos e não se entregarem a momentos clichês, pois assim, tornamo-nos frágeis objetos para prazeres alheios.

Persiste uma dúvida: O que seria vontade de círculos?
Ponho-me à beira do rídiculo e cometo suícidio:
É desejar a mesma mulher todos os dias .. É fazer de seu corpo, um templo sagrado e profano .. É morar nos abraços e beijos, esconder-se no cheiro e aliviar os medos .. É estar em constante estado de graça e contentamento .. É sorrir aquele riso bobo sem que haja algo engraçado .. É tocar, é correr, é construir, é fugir .. mas sobretudo, voltar .. Afinal, os círculos nunca se desfazem.

Vontade de círculos, talvez seja o príncipio do amor .. será?
Verdade seja dita, o único tempo no qual devemos acreditar é no do coelho ..
Quando Alice (no País das maravilhas), pergunta ao coelho: "Quanto tempo dura o eterno?".
O coelho responde: "As vezes apenas um segundo".

Gostaria de saber a resposta do coelho para uma pergunta de cunho pessoal:
-- Quando a vontade é "de perto, se longe, ou de mais perto, se perto" ..
Apenas um segundo é suficiente?

Ah tempo nublado! Porque tu és tão rude comigo?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Assunto xis


Ouvi tua voz desconcertante cortando a madrugada fresca enquanto moldava vibrações desafinadas .. Quão incontrolável era a espontaneidade do outro lado, que relutei qualquer fuga interna e decidi seguir adiante, sem pronunciar meu plano falho.


O tom oscilava entre o grave e o agudo .. Provocando involuntariamente a quebra de certas regras .. O horizonte negro, carregava algumas nuvens que escondiam a lua e outros segredos .. Ás vezes o diálogo era com o silêncio, e cá entre "nós", ele evidenciava seus suspiros.
 
 
Ah, seus suspiros! Constroem meu lado poético e brinca comigo antes de dormir .. Se despede criando possibilidades e embalam meus olhos ao admirá-la .. Observo-a como faço com a lua e assim como ela, você é linda e sabe disso .. Qual foi a razão em termos conversado sobre o assunto xis? Este assunto deve ser mantido em sigilo absoluto!


A fala estava intimamente ligada à um desejo (este, permaneceu intacto). Os desajustes musculares incendiavam uma dicção verbal associada à inconstância de vocabulário. Ela vivia o auge da loucura e queria dividir isso comigo e também a voz rouca, abarcando meus instintos.
 
 
O timbre alucinava minha imaginação, rendia-me em divagações onde à encontrava "acessível" e disposta à ser adulterada .. Provovalmente eu deixaria de existir por alguns mintutos e me imaginaria sendo um satélite esperto e com sorte por tocar um ser humano tão conflitante, tão sedutor e tão atraentemente irresistível.


Oras! Devo comportar-me com seriedade .. Porém, ela incentiva minha vulnerabilidade e ponho-me ao seu dispor e de repente tudo é pólvora e queima lentamente, depois sobra a fumaça e a névoa artificial .. O que eu desejo? Que nossa loucura não se acabe!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"..."



Naquela época vivíamos desafiando a construção de sorrisos perigosos na descida da cachoeira. Tínhamos a obrigação de aproveitar ao máximo, pois mamãe dava-nos compromisso de estar às seis em casa, "tomados" banho já! Lembro-me bem, os lírios cresciam enquanto a noite caia, sempre cedo, sempre quente, sempre silenciosa .. Eu costumava deixar a janela aberta e observava o tempo negro, deitada na rede que tinha um cheiro de maça verde. Estranho! Devia ser o produto que usavam para lavá-la ... O cata-vento girava e proibia-me de gozar da plena lucidez, pois os giros hipnotizavam-me, deixando a noite ainda mais irresistível.. Será que em outro lugar, a noite era mais bonita? não! impossível .. A noite mais linda era minha. 

Os vizinhos tinham nomes criativos, falavam em outra língua (achava aquilo incrível), mas gostava mesmo era daqueles docinhos que a mãe dos meninos traziam, típico ato de cidade pequena, eles mudam uma coisinha ou outra da receita original e leva um bocadinho para cada vizinho, quando ela apontava no portão com um pratinho, eu gritava: mãe, petit gateau!! Pulava da rede e saia correndo, mamãe ensinou-me à sempre oferecer café, mas aquele dia não tinha.. Ela preparou um suco verde com ervas, um cheiro esquisito e o gosto horrível, mas era o preferido da vizinha, que enquanto mamãe fazia o suco, ensinava-me a pronunciar aquele docinho, silabicamente com batom vermelho gritante: Acompanha-me, pe-ti-ga-tô .. Repita! 

Minha avó, que vivia ajustando o relógio e trocando as pilhas, costumava dizer que a manhã era corrida e cheia de tarefas estressantes, mas depois que os homens do garimpo deixavam uma pia de louça enorme, ela lavava tudo sorrindo, pois naquele dia, não mais os veriam! Sempre encrencava com um que era bem atrapalhado e pisava com as botas de lama no piso de taco, mas ela fazia-o limpar, até dava o pano e ensinava. Durante a tarde, ela arriscava jogar bola com meu irmão, mas a idade avançava e mostrava que isso era apenas uma vontade, ela era melhor com os bolos da cozinha.

Eu, sempre ficava atrás de coisinhas miúdas com a lupa na mão..Gostava mesmo era de subir na árvore, tinha cada bichinho lá melhor que boneca! Eu só não gostava de pisar na areia, dava uma gastura irritante, eu corria e molhava meu pé, deixava a água correr e ia sentar embaixo da sombra da seriguela, era a maior e a minha preferida. Eu colecionava pedrinhas minúsculas e alguns gravetos bonitinhos, muitas vezes, na volta para casa, eu atirava as pedrinhas no meu irmão e seus amigos para os afastar de perto das árvores, afinal, achava tão maldoso eles matarem os passarinhos, cortava-me o coração.

A noite eu parecia ser santa, ficava quietinha deitada na rede ou sentada na escada, olhando a lua e sempre contava oito estrelas .. Tinha bem mais, porém, oito já eram suficientes para mim. Meus tios diziam: Essa garota não bate bem da cuca! Essa garota parece viver no mundo da lua! E essa, era a frase que eu mais gostava, pois de certa forma, "viver no mundo da lua", parecia-me algo muito agradável.. Será que lá é calor ou frio? Por via das dúvidas seria melhor levar um casaco, aquele vermelho, bem quentinho.

Quando eu estava no auge  dos meus pensamentos brilhantes, no conforto da imaginação, que tinha um colo que parecia de veludo ou nuvem derretida, completamente emergida pelo prazer que a natureza me dava de graça, ouvia uma voz interromper: "Filha, esta na hora de dormir, amanhã tem escola cedo, vem". Um pouco brava, eu ia caminhando bem devagar, contando os passos e despedindo-me: Lua? Vento? Estrelas? Quase chuva? Boa noite para vocês.

     

sábado, 14 de abril de 2012

φιλία

  
Dois senhores grisalhos perambulavam noite adentro, desfrutavam de mais uma vitória no campeonato de bocha, da terceira idade .. Enquanto gozavam do bigode um do outro, avistaram um banco coberto de ferrugem, as pernas, que já não exibiam um porte atlético, exigiam descanso e sentaram aliviados. Um deles, o galhofeiro disse:
- O que de mais ousado dois velhotes podem fazer, se não, encostar as bengalas em um banco sujo de uma pracinha abandonada pelo futebol arte dos meninos da rua?!
O outro, o sorumbático respondeu com a voz roca e abafada:
- .. Amar.
Risadas estrondosas tomou conta da atmosfera:
- Um velho tristonho falando de amar aos 74 anos! Qual velha iria aderir a mesma doutrina meu velho gaga?!  
Com uma timidez encantadora, o sorumbático respondeu:
- Dona Eulália da padaria, oras! Ainda não percebestes? Esta caidinha pelo seu amigo aqui!
- Caro amigo, endoideceu de vez, será alguma doença contagiosa? (esquivou-se para esquerda).
- Tranquilize-se seu velho debochado. Amanhã cedo irá comigo comprar pão, depois, me dirá se estou equivocado .. ela esta encantada. 
Conversaram mais uns minutos e resolveram ir para casa. Após a morte da filha e esposa num trágico acidente, o velho melancólico se isolou do mundo e desfrutava apenas da rabugice do velho amigo.

No dia seguinte, as 5:59 horas o despertador os acorda. Colocam suas roupas feitas em alfaiates, o sorumbático, feito um menino, esta prestes a sair correndo pelo portão à procura de sua amada. O galhofeiro o acompanha silenciosamente. Passos lentos e chegou até a padaria, Eulália diz:
- O mesmo de sempre?
- Sim. Quatro pães, duas rosquinhas e um leite de saquinho.
Enquanto aguardava seu pedido, percebeu uma goteira no canto direito e aproximou-se já pedindo uma chave de fenda e fazendo o serviço. Depois de alguns minutos, o conserto estava feito e Eulália alegre o convidou para um jantar simples, como uma forma de recompensa.
Na ida para casa, ele comentou com o peito estufado:
- Esta vendo .. seu velho amigo aqui ainda faz um sucesso danado! (risos).
- É nada .. ela foi apenas educada!
- Educada? não. Reparou o olhar dela me fitando a cada instante?
- Velho, você esta maluco! Tire essa idéia da cuca, são apenas bons amigos de longa data.

 A tarde demorou passar. À cada instante, ele entrava no quarto para verificar seu terno azul marinho na beirada da cama, arrumava as meias e os sapatos, deixou até o perfume guardado há anos em cima do criado mudo. Olhou a foto de sua esposa e filha, já falecidas e pensou:

Ah saudade. Foste tão cruel comigo todos esses anos. Quem derá agora me desse um pouco de alegria. Sinto falta de uma mulher em casa, no lugar, comprei um cão, mas ele só late e come ração, não me faz carinho, por mais que me dê toda a atenção. Enfim, já não choro como antes por saudade de minha filha que cursava medicina e que jurava cuidar de mim até a morte. Preciso de alguém vida, encaminhe aos meus sonhos a dona da padaria com aqueles olhares que querem me dizer algo.

Seu velho amigo, aproximou-se e em tom de despedida, anunciou:
- É, meu caro, foi muito bom o tempo que passei contigo, mas é chegada a hora de seu velho amigo aqui partir para outros lares.
Aborrecido, o sorumbático, respondeu até agressivo:
- Ora velho safado .. pare com suas piadinhas de muito mal gosto, sabes bem que não gosto disso!
Uma luz fria e contagiante entrou pela janela do quarto, iluminando o ambiente, fazendo até dilatar a púpila ..
-  O que é isso? (perguntou o velho amedrontado).
- Calma amigo, não é uma piada .. sou eu partindo, caso não tenha percebido, sou um amigo imaginário que você criou para as noites tristes. Lembra-se? Conversavamos durante horas, eu servi para ajudar-te a se recuperar da morte de sua filha e esposa, agora que estas curado e encaminhado para um novo amor, hei de ir embora.
O velho tristonho, lembrou-se de uma noite em que acordou suando e que algo assombroso acontecera. Após um pensamento de querer ter um amigo, este, que agora se despede, bateu-lhe a porta e foi logo estendendo o paletó no sofá .. será mesmo que sua mente seria capaz de imaginar algo tão absurdo?
O amigo sumiu diante da luz imensa.

Ele foi tomar banho .. fez a barba .. colocou a roupa e comprou uma rosa. Chegou a hora de ver Eulália. Caminhou pela calçada reparando se seu amigo iria surgir daquelas imensas árvores e dizer que tudo não passava de uma bobagem. Chegou até o portão da casa de Eulália, tocou a campanhia.
Ela estava linda e carismática, o vestido estampado de seda, fazia dela mais jovial com o constante brilho nos olhos e quem diria, passou até batom! Ele tirou o chapéu e lhe ofertou as rosas e o vinho que comprará para a ocasião.
Avistou a mesa farta e duas velas, tratava-se de um jantar romântico ou era uma visão?
Eulália, juntando uns dedos nos outros, começou sua revelação emocionada:
- Não sabes como esperei por este momento. Sei que sente infinita dor em ter perdido seu grande amor e sua filha que eu tanto adorava. Talvez depois de tanto tempo perdido, você entenda como me senti durante todos esses anos, vendo meu amor dividindo a alegria com outra. Estudamos na mesma escola, eu queria ter dançado o baile contigo, mas convidou outra. Somos vizinhos, você compra pão e leite todos os dias a mais de 40 anos e meus olhos sempre que te enxergam denunciam o quanto te amam. Escrevi várias cartas todo esse tempo, na esperança de enviá-las, mas eu não poderia destruir seu lar e sua alegria. Amei você em segredo. Nunca casei-me apesar dos vários convites. Não tenho filhos para cuidar de mim na velhice. Tenho apenas a padaria, que é nosso ponto de encontro todas as manhãs e hoje, esse jantar para revelar o quanto te amo e não precisa ficar se sentir encomodado.

O velho, esboçou um sorriso apaixonado, não entendia muito bem a situação, mas entendeu que Eulália o respeitou todos os dias de sua vida, mas que era chegada a hora de uma nova poesia. 
- Eulália, minha rosa, vamos ao baile da terceira idade após nosso jantar? Lá, aos passos da melhor valsa, há de acontecer nosso primeiro beijo.

Sorriram e abraçaram-se como dois jovens descobrindo a puberdade.
À partir desse dia, nunca mais se soube da saudade. Eles conversavam todo fim de tarde na varanda, lembravam do tempo de escola e falavam sobre o amor da mente: Philía.
Descobriram que foram feitos um para o outro e vez ou outra ele lembrava de seu amigo imaginário, mas manteve isso em segredo pois era uma baita loucura!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Distância


Tal como a um detento na penitenciária, cuja a liberdade esta aprisionada.
Meu sentimento parece ser inválido, procurarei esquecer-te.

Hei de ocultar meus desejos, como se fosse tu, um conto proibido.
Não ouse escapar, a palavra de nova ordem é: distância.

Ela faz a tristeza envergar e nos coloca na arquibancada 
Num movimento tenso, desajustado e vulgar.

Óh distância, tu és pálida, ociosa, intrépida e quem diria, muda!
Poderia refletir, encaixar, retorcer e se reinventar.

Quem em pleno gozo de suas faculdades mentais
Pediria distância à alguém?

Porém, continua fria e aguda .. Hoje eu lhe diria:
Distância? Saia daqui .. tenho cara de mal, sei omitir e sigo avante!

Se estiveres sem rumo, trilha meu caminho, sou sempre abrigo.
Se estiveres enfermo, podemos usar os milagres divinos.

 Se quiseres conselho, tenho três:
- Pela manhã, escove os dentes, deseje bom dia e tome suco de laranja com torradas ..
- Durante a tarde, aprecie uma boa música e devore um livro: Filosofia ..
- E a noite: Esteja nua, faça sexo delicado e observe a lua!

Quanto à distância, o único conselho que eu diria é ..
Bom, para isso não tenho nenhum método!
Além de vivê-la.

domingo, 1 de abril de 2012

- não tente entender tais palavras


-- Começei à escrever --

.. A calçada transparente acolhe a mulher que ganha a vida, nua.
Do outro lado, admiro uma dimensão onde vive tão linda, a lua ..
(.. o barulho anuncia uma mensagem, que por sua vez, destrói um coração ..)
" .. manter distância é o melhor que posso fazer por nós duas .. "
... ...

A intenção era escrever sobre aproximação, de repente, desfaço-me diante da noite.
Penso em ti, impondo regras: esqueça - me.
Penso em ti, declamando: sou racional.
Um refrão musical invade esse instante: medo de amar (A. Calcanhoto)
Oras, maldita música!


-- Tento continuar à escrever --

À margem da escada, perdida no vácuo da liberdade
Enquanto lembro de suas expressões, a saudade invade.
A brisa prende minha fala e aguça os sentidos
E nasce um cruzamento que divide os destinos.
Uso minha companheira singela, a gaita, como refúgio
Para fingir que não entendi o desprestígio.

Quero gritar! 
.. bem alto ..

Pensei que tu fosse apenas "importante" para o meu presente ..
Porém, senti que em verdade, tu representa os sinônimos disso:
Essencial e necessário.

E tudo acaba de uma maneira inexplicável faltando "treze" dias?
Ouço sua voz firme dizendo: - Sim.
E tudo que eu quero destinar a ti, ficará preso no passado? 
A voz insiste: - Sim, será fácil.
E para esta que vos escreve, o que resta?
Desta vez, prefiro o silêncio.
... ...

Continuar escrevendo será o mesmo que cavucar explicações vazias.
Portanto, deixarei as estrofes confusas e marginais, acima.

E uma dica do implacável C. D. de Andrade: Não deixe o amor passar

"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O amor".

segunda-feira, 26 de março de 2012

.. .. .. ..


À exemplo da lua, tu tens um lado oculto que excita-me a visão.
 Olho-te como quem investiga o que há além da vestimenta.

Quero sua nudez avulsa!
E o desejo carnal.

Inclinastes a nuca, o embalo abaixou o zíper da blusa ..
Mostrando-me a possibilidade de deixar-me lêr seus enigmas ..
 Solidificarei afagos em seu dorso burlesco, ao qual chama-me faminto e eu vou.

- Venha, aperte-me ..
Caio em tentação!

Tu agora, és um caderno com páginas em branco ..
Meus lábios criam um rascunho .. Minhas mãos passam a limpo ..
De repente, não somos nós, e sim o tesão.

Acolhi sua liberdade entre os dedos da mão!

 Mergulho em seu corpo oblíquo, penetro cavidades maliciosas ..
Decifro suas deixas e devoro seus gomos, tal como à um fruto ..
Saboreio sua "dança" na minha deglutição.

O quadril vira, a coxa retrai, o músculo contorce e você:
vibra no grito do silêncio, onde a natureza vulgar torna-se selvagem. 

Sacaneio sua geografia esculpindo sua curva ofegante! 

.. vai e vem trivial ..

Sons agudos minam de seus lábios desajustando a inclinação ereta .. 
Agarra-me em teu seio e decaindo ao gozo sussurra indecente.

Eu, entorpecida de seus "ais" provei os sabores de sua entranha.
Ah quantas loucuras!

E ..
Quero mais.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

.. dois ou um ..


O que Marie Sophie Germain diria da minha obsessão por números pares?
Talvez, ela encararia minha face por 6 segundos e gritasse com irônia: 2!

Eu, já contente por ser par .. Ouço a sútil explicação:
- Dois: primeiro número primo e o único que é par.
(envergonhada pela capacidade de distingui-lo apenas sendo natural
que segue o 1 e precede o 3, prefiro calar-me)!

Dois.
Dualismo.
Lovejoy, exaltaria: Objetos e idéias!
Defendendo a existência de duas realidades.

.. Loucuras à parte ..
Voltaremos para o números!

A esperança de encontrar o "um" para ganhar o carinho de domingo ..
À fim de preenher a poltrona vazia do filme bobo no cinema ..
Para conversar em francês e falar bobeiras também ..

Encontrar o "um" para fazer algum sentido qualquer .. 
Para ver a lua em silêncio, porque eu não gosto de barulho ..
Ou pode fazer barulho, talvez ele me agrade mais do que o tal silêncio ..

O "um" para esperar a chuva e sair correndo para adentrá-la ..
E quem sabe até imitar aquela cena de beijo famosa!
Para dançar de um jeito errado, mas engraçado ..

Encontrar o "um" à quem dizer: gosto muito de você ..
Fazer planos (não de casamento) e sim, de exploração do mundo!
Conhecer o que ninguém tem interesse em observar:
.. flores, luas, cores, palmeiras, pedras, cheiros, sabores, nuvens ..

Encontrar o "um" para ir escolher um telescópio ..
E porque não observar cometas?
O "um" da paz, amor, prazer, suavidade, união ..

 .. Um .. Um ..
Somando, dois!
Intransponíveis.




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Obviar



A luz refletida na ponta da flecha com um ângulo exato no alvo do meu pensamento ..
Investigou minha inversão e encontrou vestígios seus tão bem guardados.

Descobriu segredos, conceitos, reflexões, medos, histórias ..
E todo o resto produzido pela arte do intelecto de fevereiro à tarde.

Observando o arco íris, declaro dúvida e pergunto:
 Se não houver mais mistérios ..  
Se eu gritar minha vontade ..
- O que será de mim? (ou de nós).

Quebrar as grades de limites impostos e converter sentimentos ..
Não parece ser um exercício de fácil proporção.

Penso você, sendo o mar .. o navio .. o cais ..
Sou os pássaros, ás vezes notórios, ás vezes despercebidos ..
Depende do "momento".

Sem tua moldura clara para observar ..
Sem as possibilidades de entender seus conflitos ..
O vento para ..

Com tuas incertezas excitantes à se desvendar ..
Com seus protestos musicais .. 
O vento alastra o fogo .. 

Eu me queimo .. Reinvento-me ..
Falta apenas te aprender, te apanhar, te questionar, te raciocinar ..
Enfim, te obviar!


domingo, 19 de fevereiro de 2012

A t r a e n t e



  Não diga que tens um "sim" inviolável ..
Desejo atacar teus egos pávidos.

 Era uma minusciosa atração efêmera .. 
De repente, eclodiu um juízo inconstante.

 Olhares violentamente, aliviam-me ..
Vontades emanam tornando-se transitórias.

Diversas cores e toques poderiam ..
Roubar sua fluidez sonora para minha prisão.

Sobrevoando a realidade imparcial ..
Descobri que tu existe apenas na minha idéia.

Enquanto isso a ilusão disfarçada de metafísica ..
Cria uma complexidade intelectual. 

A fumaça tóxica fez de ti uma Filosofia ..
Portanto, cabe a mim, estudá-la.

Desvendar os caminhos da sua vulnerabilidade agressiva ..
E outrora, um poço fundo de sensibilidade.

Arrisco dizer:
Seria "a t r a e n t e" desconcertar sua racionalidade ..
Mesclando uma sintonia entre a timidez e o descompasso.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

" ... "


O teor alcoólico daquela bebida forte e amarga, permitiu que a luz baixa provocasse uma timidez vulgar, onde sua trivialidade corrói facilmente um desejo inacabável de tatear a boa forma da natureza sólida do seu corpo ..

A intenção é descobrir quais são suas manias sexuais e como regra, irei vagarosamente seguindo minhas vocações a fim de penetrar na temperatura da sua intimidade, correndo o risco perigoso de não encontrar uma simetria labial ..

Seu tom tirano se despindo lentamente e caindo em horizontal, desencadeando probabilidades de provocações insaciáveis corrompe meus desejos de cair na sua intensa declinação e arrancar-te gemidos tingindos de chiclete de menta. 

Encontrei suas verdades espectrais escondidas em pequenos castelos moldados de loucuras intermináveis que, com invejável efeito salta de seus altos e baixos e colam diretamente no meu recanto admirável e misterioso, recanto este, protegido por pedras que ganham vida e por cápsulas protetoras que guardam pedaços da lua, da nuvem cinza e da água salgada ..

Quero sentir seus pulsos enquanto admiro sua nudez exposta em um ritmo alucinante que me faz perder o juízo e a ausência de cores, onde submeto-me às suas imposições ricas em contrariedades .. 
Seu último desejo era poder voar .. venha! Convido-a para se jogar na suavidade da gravidade, à qual certamente irá nos zombar ..  

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Burros



Em caráter arbitrário, crio um porque extremamente situacional e não tenho a mínima vontade de explicá-lo .. Portanto, escreverei futilidades de uma mente sob o efeito de substâncias alucinógenas .. Claro, nem tudo é mentira ou verdade!

Estive olhando fixamente para as curvas do infinito ..
(meu infinito tem curva)!

Lembro-me de ter incontáveis pensamentos, nenhum com sentido racional.
Como alguém pode morar dentro de uma xícara?
(prefiro ser irracionalista, embora tenho a capacidade de raciocinar)!
Xícara branca, pura, calma e que conforta o café ..
Café preto, que protege o mistério e se relaciona com o silêncio.

Ascender um cigarro não é pecado ..
No escuro, a tragada faz o fogo laranja evidenciar ..
E os pudores revestidos de fumaça se espalham pelo ar ..
Buscando um caminho qualquer que o leve para algum lugar ou nenhum lugar.
(.. tanto faz! ..)

Detesto formas desalinhadas, triângulos pintados e quadros em declive ..
Prefiro bexigas que roubam-nos o ar e números ímpares em mutação para o par.
(para os Psicólogos tudo vira "toque").

Certa vez ouvi: "tudo deve seguir uma ordem" .. 
 E se o caos me interessar?
Causa e efeito, isso nunca me preocupou.
(podemos ignorar as leis da natureza.. será?..)!

Quando escrevo, em verdade, distorço meus pensamentos e vontades ..
Ninguém precisa entender .. e nem vai, pode tentar .. tudo será em vão.
(ninguém entenderia uma mente confusa e não brilhante)!

Os grandes escritores diriam-me: "Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro". (Mário Quintana, em O trágico dilema).
Éh Senhor Mário, eu não concordo .. E se o autor for da linha torta e cuja as palavras escapam pela dianteira, tornando impossível a interpretação alheia?
(sessões terapêuticas seria o caso).

Até porque escrita muito clara, esconde mentiras cruéis e avassaladoras .. como por exemplo o Descobrimento do Brasil e a maneira como este se desenvolveu e nos foi transmitido em aulas, nas escolas! Tantos erros cometidos nem sequer divulgados ..
(quem são os burros neste caso?).

Cá entre nós, escrever maluquices é bem mais saboroso do que correr o risco de esquecer como se monta uma prosa .. e no final, tudo acaba sendo poesia e o burro também cria a arte!
(principalmente os burros).

Vivem à beira do raciocinar, às margens do entender ..  alguns acreditam que estejam desempenhando bem tal feito e outros já admitem logo: é .. é .. sou burro!
(vivo fora da moda atual)!

E eu que gosto de morar em xícaras brancas com café preto e amargo .. Sou burra?
E eu que não sou da laia da ética e nem da metafísica .. sou burra?
E eu que não sei fritar ovos e pendurar "adequadamente" roupas no varal .. sou burra?
E de onde vem todas essas ordens e esquemas a serem seguidos .. da sociedade inteligente e diga-se de passagem, pouquíssimos Brasileiros há nessa categoria!

No Brasil, intelectual se tranca em salinha de Universidade e acreditam que estão fazendo feitos enormes ou escreve dramas envolventes e grandes produtoras, convertem as idéias em "novela", ganhando a massa popular  .. ? O que é mesmo a massa popular?
(Ah, sim! burra né ..).

Ah! Prefiro a declaração de Fernando Pessoa:
"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida".

Ou seja, vamos deixar de ser burros "ignorando a vida!
Que tal ein Senhor Mário Quintana?
Ao meu analisar, a proposta do Pessoa é melhor, não acha?





quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Linear


Sentindo cada letra formando palavras com a finalidade de organizar frases, o objetivo óbvio seria concluir um montante de pensamentos com sentido racional .. porém, devo confessar: o óbvio não me atrai .. Portanto, o que tenho para ofertar é uma nomenclatura de inexatidões e ausência de razão, vindas do espírito sem nenhum entendimento com a realidade.

Foi o barulho da chuva que prendeu meus pés e atenção nessa janela .. Ah, Equinócio de noites iguais, seu latim me fascina e me deixará atenta ao dia 20 de Março às 05:14 horas .. A garoa fina que derrete o perfume de certas flores amarelas, ativou meu substantivo feminino preferido: Inspiração!

 O improvável buscou uma xícara de café para companhia nessa noite fria .. O vento que balança as árvores originando ruídos sobrenaturais, fazendo propositalmente algumas folhas caírem, não alcançou a chama da vela que queima ao meu lado produzindo cores que abstraem meu "quase" sentimento.

Minha dúvida é a mesma do Renato Russo: "Quem inventou o amor? Me explica por favor!" .. São diversos termos direcionados para este sentimento abatido e explicacções tão cansativas e absurdas, que prefiro nivelar em sentido linear, as possibilidades de um amor mecânico com controle remoto!

Quando é que vão descobrir que o segredo do amor esta na ação de prodigalizar?
Estou prestes à perder a razão!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Notas afinadas


E a razão, traz sua brisa, invadindo e rasgando o "camboio de corda" ..
Ao invés de tentar, me isolo na construção desse montante de desabafo sórdido:

Instrumentos traduziam a falta de explicação do momento e seu precipitado, fim.
Presa naquele canto .. escutava o piano de Antônio Carlos Jobim ..
Nas notas afinadas e hipnotizantes, encontrei pedaços de mim.

Óh "garota de ipanema", "se todos fossem iguais", a "Luiza" não me interessaria.
Livrei-me de verbos conjugados no passado, afinal, quantos futuros eu queria ..
A paz e a confiança, de repente entornou, transformando-se em euforia.

As palavras brincam de quebra-cabeças e ficam tentando se descobrir
.. sentir .. excluir .. insistir .. desistir .. transmitir .. fugir .. fluir ..
(eternos pontos de interrogações).

A insanidade inquieta (querendo acontecer), pergunta:
- Querida consciência, tens certeza, com toda razão?
A consciência, por sua vez, tranquilamente responde:
- Oras insanidade .. Meu dever é inibir a ação!

Poderia escrever meus desejos e montar um belo poema convincente ..
Porém, daria muito trabalho rimar você com meus quereres adjacentes.
(.. é a coisa mais linda que eu já vi passar ..)
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Probare.



Em sentido contrário ao vento
.. andava lentamente despindo meus medos 
.. tão inseguros quanto irreversíveis.

Avistei os numa cápsula protetora marron e preta.
Lembrei-me de uma frase sobre incompatibilidade de gênios.
Uma igualdade de ternuras e temores
.. revelam nossos piores defeitos.

Que vão à campo de batalha
Dividindo-se entre racionais e irracionais.
Ambos com desejos contraditórios
Que beiram a loucura do abstrato.

Cinco consoantes e duas vogais

.. formam uma estrutura sensível com doze letras ..
Minha tentação trata-se de uma classe gramatical
.. adjetivo par!

Eloquente e ao qual não se pode resistir.
Em um discurso intelígivel, separei suas sílabas:
.. ir - re - sis- tí - vel ..
E as declamo vagarosamente
.. é o par mais intrigante e delicioso que eu nunca provei!

Traduzindo suas inconstâncias diárias para a Filosofia
.. tu é algo que existe apenas na minha idéia.
Porém, pode ser "perceptível"
.. posso compreendê-la através dos sentidos.

Basta um olhar tímido e silêncioso para que tu entendas.
.. O que eu quero vem do Latim:
(probare) = provar-te .. testar-te ..
Correndo o risco certo de tornar-me chata!