segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dizem



Quisera eu ser explícita, porém, detesto o óbvio da claridade, prefiro o ato leviano
.. que se torna imprudente, inconstante e pouco refletido.
Considero um meio de sobrevivência o que muitos (em mim) não compreendem
.. gosto da calada da noite, da escrita inconsequente, ora branda e ora severa.
Quase todos os dias um violão manso e uma gaita agressiva apetecem meus ouvidos
.. em dias de nostalgia, escolho a grosseria da bateria com a guitarra descontrolada.
Reprovo os ruídos do mundo globalizado .. Defendo a calmaria!
Espectadora assídua das leias da natureza
.. repouso abaixo da lua e enquanto à prestigio, penso situações abstratas.
Cortejo os ares da atmosfera e brindo as poucas estrelas ou nenhuma.
Admito ser egoísta, entretanto, isso é culpa do findo elenco amoroso
.. que faz-me flanar por submundos da consciência que jamais se tornaram realidade.
Odeio ter que revelar-me, prefiro fazer morada na longínqua incógnita do incomum!
Esclarecimentos não fazem parte do meu ser (explicações podem ser inventadas)
.. gosto apenas de olhar atentamente a obra prima de conhecer a essência do alheio.
Para assim, se desfazer da fala, da expressão e usar somente a visão
.. e caso, a visão falhe, eu opto pelo tato..
(pegar e sentir também me provoca a imaginação).
Dizem que sou sensível, eu confirmo .. porém, são em casos de extrema vulnerabilidade.
Dizem que sou fria, discordo .. acabo sempre me queimando em diversas aventuras.
Dizem que sou "esquisita" .. aprimoraria a frase citando que é uma "estranheza admirável".
Dizem que sou louca, tremenda injustiça .. nem sabem o real significado da palavra.
Dizem que sou lunática e confesso que sou um sujeito à influência da lua.
Dizem que sou praticante do Ceticismo, sim, sou ..
(quem acredita em verdades absolutas não sabe pensar, tão pouco questionar)!
".. confusa, implicante, complexa, difícil, maníaca .."
São tantos absurdos que dizem, e sabe.. vivo no limite dessas contrariedades
.. mesmo que a tendência seja piorar, é simples aceitar-me como sou.

A verdade é que sou apenas alguém que conjuga verbos sentimentais .. nada mais!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Inferno particular



Essa noite a lua veio assenhorear-se da minha sensibilidade e dilacerou os pedaços dessa ilusão que nitidamente tem assaltado meus sentimentos que flutuam agitados, sinto-os digladiando entre si e gritando em silêncio para minha consciência: pare! pare! pare! Perturbando a minha rotina e  roubando-me até um futuro, com qual sonhei esses dias ..

É um inferno particular que me obriga à escrever ligeiramente comendo as letras do teclado e falando alto a palavra antes de escrevê-la .. Parece que estou brigando com meus pensamentos, como se fosse simples apagar essa estima que eu mesma, involuntariamente criei através de uma cilada .. (antes, inspiração .. agora, eterna etcétera!?)

Nasce aqui uma agonia! Uma enfermidade! Uma angústia! Uma teoria de que sou realmente assassina de amores reais, preferindo sempre o platônico .. É como se eu tivesse escolhido por quem sofrer .. Absurdo isso!
Peguei a gaita empoeirada e inalei o tempo .. corri para fora de casa sem me importar com a obra inacabada e em meio à bagunça, olhei a lua e em tom de ameaça soquei "black desafinado" no vento! Minha vontade era desabafar em palavrões, entretanto, a música pareceu-me mais intelectual.


Cheirei a folha da Jabuticabeira pensando nela .. Que mistério essa garota tem? Que maldita insensatez eu brotei nas ramificações do meu peito? Talvez a maior dose de loucura ou será o "sexo intelectual" que eu tanto procurei .. que eu tanto tentei explicar ao alheio e eles nunca entenderam .. Será que ela entenderia?
.. Palavras desordenadas .. Pensamentos contraditórios .. Saudades simbólicas ..
De repente, minha insanidade colidiu com a realidade e tropeçou numa rua sem asfalto com calçadas quebradas num emaranhado de folhas em vários formatos.

Meu espírito à procura de abrigo, encontrou sossego, calmaria e suavidade regada à paz nos sorrisos que despontam daqueles lábios .. Recriando um novo aspecto à sua forma, daria-lhe o nome: Caos, com sobrenome: Paraíso.

Parei na esquina e tentei conduzir lembranças para outro lugar, distante da minha presença e longe de onde meus pés pudessem alcançar .. falando em pés, andei deixando a marca das minhas pegadas no terreno baldio onde moram algumas garças ousadas que teimam em falar comigo durante as madrugadas.

Mesmo com as luzes apagadas, minha alma ordena para a retina reproduzir sua imagem clara e és tão perfeita, quanto intocável .. quanto indomável .. quanto insatisfeita. Estou furiosa com os fantasmas que me cercam e hoje, dormirei fora de casa!



domingo, 4 de setembro de 2011

Cavalheiro


Conheci um Cavalheiro .. ainda moço, brilho nos olhos e bem disposto.
Anda à distribuir sorrisos corruptos que escorrem pelo seu rosto!

O tal, veio de um lugar onde se sentava na beira do mar para sentir a maresia.
Na presença dele meus nervos ficam à flor da pele, mas é sempre uma alegria!

Esconde grande mistério intelectual e ao revelar a fala torna-se superior.
Dono de diversas caretas, escolheria aquela quando faz amor!

Esse Cavalheiro não tem espada, cavalo e nem voz grossa.
Tem cabelos negros e finos que circulam no embalo da bossa.

Vive honrando os polêmicos manuscritos de sua perigosa ideologia.
Pensar que verei seus sapatos medievais na beira da cama é pura utopia!

Certo dia, o Cavalheiro disse que receber flores não o agrada.
Mas desconfio que até elas murcharem, ele cuidadosamente as guarda!

Seria um terremoto de descobertas compartilhar com ele a vista em direção a lua.
Porém, desconfio que ao observarmos ela, ele me diria: a lua é minha e não sua!

Esse Cavalheiro possui segredos que traduzem fórmulas para o domar.
Quem for corajosa cria uma emboscada e o fisga pelo olhar!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eterna etcétera


Irredutível à poesia reveladora. Desvendá-la abriga a aceitação de diversas facetas.
Parece-me ser "etcétera" .. Consciência curiosa pergunta: Eternamente três pontinhos?!
Um esquema de pensamentos desorganizados revelam querer ação!
.. oscular ..adotar com os braços .. afagos ..  
Qualquer movimento preciso que dê para tocar aquelas mãos
(que já reparei ao volante).

Antes o tema musical para tal aventura platônica:
... "O pierrô apaixonado chora pelo amor da c......."
Desconfio que de tempo em tempo a trilha sonora vai se aperfeiçoando:
... "nem precisa falar e o mundo fica mais bonito"
Não quero escrever nada que se pareça com amor (porque nem é isso).
.. Porém, concordo com o Cazuza: o amor é o rídiculo da vida!

Deixei vazar uma vulnerabilidade e fui atacada ..
Em razão àquela desvelada carência fria .. que já foi embora!
Contraditoriamente falando, não deve ser instigante lêr tais palavras.
Em outra dimensão, o sono já roubou mais uma atenção ..
Aqui, acordada busco por alguma improvável inspiração.

Os sorrisos .. os olhares .. as percepções .. as provocações involuntárias ..
Um dia perco o juízo .. até lá, me controlo vagarosamente!
Certa de que talvez me perderei no caminho ..
Pois esse teu paraíso de mistério e compreensão ..
É convidativo .. deve ser excitante .. deve haver combinação e prazer ..
Mas sinceramente, até seria demais para mim .. talvez eu não desse conta.
Prefiro observar e deixar fluir incógnitas.

Chão sujo .. suco gelado .. folhas caídas .. lua incompleta .. céu escuro ..
E uma saudade suave que puxa na memória um desejo irreal!
- Gosto? laranja e uva com alguns cubinhos de gelo!
- Sabor?     hum..    Sabor!!

Oras! ... Sabor!

 
É .. é .. ah!

O sabor foi uma impressão abstrata que produziu uma ...


Eterna etcétera.

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Observação: não me atreveria à escrever mais.
(embora imaginação não falte)!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O velho




No andar superior, eu caminhava distraída com as mãos no bolso do casaco.
Inclinei a cabeça para baixo e avistei um banco vazio .. tão triste!
O dia estava nublado, as cores eram frias e parecia não existir vida em nenhum lugar.
Algumas quadras dali, no décimo terceiro andar alguém ligava a ducha no quente ...

O jorro d'água espalhava-se pelas manchas da pele desgastada drenando a exaltação.
Sem pestanejar, apanhou o sobretudo preto e vestiu em trinta segundos ...
Fechando a porta, estendeu a mão para pegar o guarda chuva pendurado à direita
(ao lado de um quadro torto do Charles Chaplin).
Andava passos lentos, deixando pegadas de coturno no asfalto molhado
(entre passos e pegadas apoiava sua melancolia no guarda chuva)
Seu destino? O banco triste, úmido e gelado.

Sentou-se. Esticou as pernas. No colo, pos o guarda chuva.
Uma música tocada ao saxofone veio de uma das salas cheias de gente.
Ele fechou os olhos e se deixou levar pelas ondas da sinfonia.
Debruçei-me sobre o corrimão da escada e disponibilizei toda minha atenção.

Seria ele um anjo embriagado ou apenas fruto da minha imaginação?
Tirou o chapéu e o cheirou por um longo tempo .. curioso isso!
Pelo semblante, parecia-me um cheiro bom (daqueles que trazem lembranças).
.. depois navegou com as mãos o corpo do banco.
Desconfio que existe ali algum significado emocional.

A música chegou ao fim e como uma estátua de zinco ..
O velho permaneceu na mesma posição com o olhar fixo ao horizonte.
De tempo em tempo, fazia um esforço e ria para o céu.
Será que ele enxergava um desenho engraçado nas nuvens?
Ou será que a lucidez havia sido invadida pela covardia do dia a dia?

Joguei uma pétala de rosa amarela que foi corajosamente em direção à sua morte.
Ao tocar a chuva empoçada na calçada despertou um movimento do velho
... que levantou-se e procurou a direção de onde viera a pétala misteriosa.
Meus olhares eram de julgamento .. Os olhares dele eram de proteção.
Ao analisar a cena, penso:
.. quanta delicadeza, honra e simpatia para um homem aparentemente robusto..

Se eu fosse transformar o velho esotérico em poesia ...
Eu o desenharia ao lado de um cavalo branco em um dia dourado.
Pintaria seus lábios de rosa e tiraria aquela carência à espera de afagos.
Iria buscar mil borboletas e soltá-las em uma ilha de pirâmides e pedras!
Transformaria cada pensamento íntimo em realidade ...
À fim de exterminar suas fantasias escuras e trazê-las para claridade.
Eu recriaria Eva com traços sensuais para dispor-lhe todos os prazeres imagináveis.
Não existiria maçã. Não existiria pecado. Não existiria proibição. 
Seriam somente os dois e o eterno paraíso afrodisíaco!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Desconfio



Estou farta desses ruídos agudos invadindo-me os ouvidos.
Prefiro ouvir mil vezes o grito mais alto da natureza e seus bichos!
A vida sofre constantes abalos à cada esquina.
O perigo nunca se dá por satisfeito .. 
Chega de imperfeições e rituais monótonos ..  
Quero fugir desse lugar.
Daqui em diante tudo será do meu jeito!

O silêncio chega à ser absurdo desse lado esquerdo do lago.
Folhas caem formando um desenho no chão (como um rabisco de criança).
Corri algumas quadras à fim de provocar um breve cansaço.
Com as mãos aos joelhos, respirei fundo para buscar fôlego.
Sentei ao chão e olhei um palmo à minha frente. 
.. Um riso surpreso aponta no canto inferior dos meus lábios ..
Era ela .. A lua .. Bem ali (aos meus pés), refletida no embalo lento do lago.
.. linda .. cheia .. viva .. audáciosa ..  
Tão, mas tão minha .. que não trocaria esse cantinho por nada!

Poderia montar uma cabana e morar aqui para sempre.
Meus passeios seriam de barco e remo ..
Não teriam convidados .. somente pássaros .. andorinhas e canários.
A paisagem pula da tela abstrata para o mundo real.
.. O tempo, a neblina, o céu, as cores, o sol, o vento ..
.. a chuva, a curva, o raio, a garoa fina ..
Um infinito de beleza todo ao meu dispor.

Pintaria mais um astro na areia: seus olhos.
.. que seguiriam os passos pisados até um arco-íris
Onde tu chegarias nua (como em meu sonho) ..
Eu taparia sua nudez mordiscando-te com os lábios.

Brindaria o dia encontrando a paz enquanto provo seu beijo.
Sentiria seu corpo debaixo de uma cachoeira enquanto declamo seu poema!
Procuraria seu prazer vagarosamente no embalo que produz teus gemidos.
Seguraria teu peso numa onda admirando teu sorriso que não revela nada ..

Soprando-me vida e inspiração, você surgiu ..  
Parece que só por ti, minha querida, continuo viva ..
Como se fosse um motivo para eu acreditar em mim mesma.
.. esse é um falso segredo que proibo-me de compartilhar .. 
Ao qual agrada-me pensar que é verdade. 

Desconfio que seja mesmo só por ti. 
Oh! "minha lua".

terça-feira, 23 de agosto de 2011

É tudo verdade




É verdade que minha cidade guarda os segredos dos coloridos das árvores e bichos.  É verdade que ela é magnífica em noites de carnaval e retêm as flores mais perfumadas. É verdade que a arara pousa no muro do meu quintal e brinca com outros pássaros no varal.
Também é verdade quando digo que amo essa cidade em dias de frio, ela possui vários céus, que muda o tom à cada fim de tarde (ainda ontem eu observava ao sul um céu rosa com laranja .. hoje tudo é cinza e azul).

Ah cidade morena .. tu és tão esplendorosa quanto exuberante e é verdade quando digo que te amo mais que qualquer outra morena! Caminhei até aqui rasgando com o rosto o vento gelado, só para abrir o zíper do meu casaco e respirar bem fundo, à fim de guardar esse ar puro que percorre entre a ponte e o lago.

Brinco de piscar os olhos possibilitando analisar-te em todos os seus ângulos .. vejo multidões de pontos luminosos e vem ao pensamento uma aflição, da qual não consigo livrar-me: Devo desistir, me render .. pular?! Um silêncio profundo e obscuro salta de algum lugar e escorre pelos meus olhos. 

É verdade que não estou sozinha .. ao meu lado, árvores e bancos .. acima a lua brincando de esconde esconde .. abaixo essa água escura .. ao redor a brisa fresca. Sinto-me tão triste e isso é um absurdo, sou tão feliz, mas parece-me que sorrir agora é loucura. 

Eu quis estar aqui para testar minha lucidez. É verdade que talvez fosse a última vez que eu tenha falado com ela, mas não seria justo fazer isso comigo .. Toda noite a sinto tão próxima (menos de seis passos), entretanto, tão distante.. Imaginei nós duas sozinhas nesse lugar (juntando o som daquelas conversas ao som dos carros bem lá no fundo) e é irônico perceber que pareço-me como um daqueles carnavalescos vestidos de pierrô.  É verdade que estou confundindo tudo, mas isso você não precisa saber .. eu não a compreendo e vice versa e eis aqui nossa única semelhança, além das músicas, é claro!

 .. Minha mente esta uma confusão .. há um turbilhão de sensações invadindo-me a paciência, fingirei calma .. não quero ninguém com pena e nem pensando quando será o fim .. Tenho planos, escolhas, aspirações, sorte, amigos, pessoas que me amam ..  

 É verdade tudo o que eu ouvi a tarde .. Mas ainda prefiro a delícia do talvez e da incerteza, pois de hoje em diante eu vivo entre esses decimais e sobretudo, é verdade que desde segunda feira tenho brincado de viver a vida .. não vejo outra maneira de encará-la .. talvez dando uma falsa risada mil vezes, eu encontre um risada verdadeira!